terça-feira, 27 de março de 2012

INFORMATICA NO AMBIENTE ESCOLAR

A abordagem das experiências da introdução da informática na escola como processo e a importância do coordenador de informática na reconstrução da prática pedagógica, do professor no uso da informática na educação, adquire relevância no cenário educacional. Sua utilização como instrumento de aprendizagem e sua ação no meio social tem sido notória o que traz mudanças estruturais na educação e funcionais na tecnologia. 
Não é necessário mais justificar a introdução da informática na escola em razão de sua importância, porém, cabe refletir como esta introdução ocorre. Gerar uma reflexão sobre a introdução da informática na escola e o processo sobre o ser humano e a tecnologia, a informática e o currículo, a função do coordenador de informática enriquece sobremodo o tema. 
Fomos sempre afetados pela tecnologia, que muda hábito, que modifica o social e o cultural, nos ajuda e amplia nossas ações até mesmo nos substituindo em algumas tarefas. A tecnologia muda nosso comportamento com o mundo, estruturando nossas ações, a multimídia, a Internet, a telemática mostra diferentes maneiras de ler, de escrever, de pensar, de agir, e ao mesmo tempo os seres humanos estão constantemente transformando essas  técnicas e, quando utilizamos a informática, estamos sendo modificados por ela. 
A ênfase hoje recai ao adaptar a informáatica ao currículo escolar ou melhor na utilização do computador como ferramenta de apoio as matérias e aos conteúdos lecionados, preparando os alunos para uma sociedade informatizada. No início houve polêmica ao introduzir a informática no ensino, era meio que pretexto da modernidade, com aulas descotextualizadas, sem vínculo com as disciplinas, apenas para ter contato com as tecnologias. 
Para legitimar a informática e a aprendizagem JONASSEN (1996) classifica entre outros modos de aprender com a tecnologia (leaming with), em que o aluno aprende usando as tecnologias como ferramentas que apoiam no processo de reflexão e de construção do conhecimento ( ferramentas cognitivas). Assim o fator determinante é a forma de encarar essa mesma tecnologia, usando-a como estratégia cognitiva de aprendizagem. 
BORBA (- 2001) " O acesso à informática deve ser visto como direito e, portanto, nas escolas públicas e particulares, o estudante deve   poder usufruir de uma educação que no momento atual inclua, no mínimo, uma "alfabetização tecnologica". Tal alfabetização deve ser vista não como um curso de informática, mas, sim como aprender a ler essa nova mídia. Assim o computador deve estar inserido em atividades essenciais etc, tais como aprender a ler, escrever, compreeender textos, entender gráficos, contar, desenvolver noções espaciais etc. E, nesse sentido, a informática na escola passa a ser parte da resposta a questões ligadas à cidadania. 
Sobre os professores e a informática é importante refletir sobre essa nova realidade, como também construí-la. 
GOUVÊA " O professor será mais importante do que nunca, pois ele precisa se apropriar dessa tecnologia e introduzi-la na sala de aula,  no seu dia- a- dia, da mesma forma que um professor, que um dia, introduziu o primeiro livro numa escola e teve de começar a lidar de modo diferente com o conhecimento, sem deixar as outras tecnologias de comunicação de lado. Continuaremos a ensinar e aprender pela palavra, pelo gesto, pela emoção, pela afetividade, pelos textos lidos e escritos, pela televisão, mas agora também pelo computador, pela informação em tempo real, pela tela em camadas, em janelas que vão se aprofundando às nossas vistas..." 
Para isso é importante criar condições para que o professor se aproprie, dentro do processo de construção de sua competência na utilização da tecnologia, novas possibilidades de sua utilização educacional. 
Sobre os momentos do processo faz-se necessário destacar quatro, com caracteristicas bem definidas. No primeiro momento ao introduzir a informática educativa vê-se a reprodução da sua sala de aula na sala de informática, a preocupação central é observar a ferramenta, sendo portanto, importante para o domínio de que ele precisa para estar seguro diante da introdução da informática. Estando seguro o professor percebe que pode fazer mais do que está acostumado, começa a refletir sua prática e percebe o potencial da ferramenta, é o momento proprício para acatar modificações na sua prática pedagógica. 
No segundo momento já existe uma preocupação de explorar a ferramenta para ajudar no processo de aprendizagem, no entanto a preocupação se dá ainda com o conteúdo da sua disciplina e o descobrir ativa um desafio constante. 
No terceiro momento existe uma busca de alternativas para tentar reorganizar o saber, nesse momento o professor precisa de apoio, pois se for desenvolver um projeto pedagógico da Escola terá que trabalhar junto. O professor também passa usar outras tecnologias, porém, apesar de seu olhar para fora da escola, continua preso a ela. 
HEINECK propõe " Os educadores têm que ser capazes de articular os conhecimentos para que o todo comece a ser organizado, e assim inicie-se a superação da disciplinarização do saber imposto e distante da realidade vivida pelo educando. Uma prática interdisciplinar, certamente contribuirá para o forjamento de cidadãos conscientes de seus deveres e capazes de lutarem por seus direitos com dignidade." 
No quarto momento acontece a troca da comunicação e participação comunitaria. A preocupação é o processo de aprendizagem para uma interação social. O conteúdo é trabalhado em contexto, prioriza-se a coletividade, a participação política e social, à cidadania. Entretanto, o que se percebe hoje é que a maioria das escolas encontram-se no segundo momento, talvez por falta de incentivo político. 
O coordenador do laboratório de informática deve ter uma formação pedagógica, uma experiência de sala de aula, um envolvimento com o processo pedagógico, capaz de fazer uma ligação entre o potencial da ferramenta ( software educativos) com os conceitos a serem desenvolvidos. Ele deve ser o coordenador do processo capaz de perceber que o momento de mudar de etapas e de propiciar recursos necessários para impulsionar as engrenagens do processo ( formação de professores e recursos necessários). Deve estar atento e envolvido com o planejamento curricular de todas as disciplinas para poder sugerir atividade pedagógicas, envolvendo a informática e para isso deve contar com o apoio da equipe gestora na execução dos projetos sugeridos. 
Em suma, o coordenador de informática deve: 
  • Visar a abrangência dos conteúdos disciplinares atentando  os diversos projetos pedagógicos; 
  • Ter em mente o projeto pedagógico da escola; 
  • Ser experiente de sala de aula, conhecendo várias abordagens de aprendizagem; 
  • adquirir visão geral do prcesso e estar receptivel  para as interferências; 
  • Observar as dificuldades e o potencial dos professores, instigando-os e ajudando-os; 
  • Esclarecer ao professor que o LIE é extensão de sua sala de aula e a mesma deve ser dada por ele; 
  • Fazer pesquisas e analisar software educativos; 
  • Obter  noção técnica, conhecer os equipamentos, mantendo suas atualizações; 
  • Ser receptivel a situações sociais caso ocorra. 
O uso da Internet nas escolas em sua maioria vincula a informação, porém, seu grande potencial é a comunicação. Para visão de processo, isto e admissivel, sendo para primeiro momento a informação. Com a maturação do processo passamos a utilizá-la como rede de comunicação, onde debatemos, trocamos experiências e usa-la como recurso de expressão política e social.